Receita Federal: R$ 233 bi em autuações em 2025 e nova postura para 2026

Receita Federal: R$ 233 bi em autuações em 2025 e nova postura para 2026

A Receita Federal autuou R$ 233 bilhões em 2025 e muda de estratégia em 2026. Entenda o Programa Confia e o que isso significa para grandes contribuintes.

O Tributo··4 min de leitura

A Receita Federal divulgou em abril de 2026 o balanço de sua atividade fiscalizatória em 2025: R$ 233 bilhões em autuações, concentrados em grandes contribuintes. O número impressiona. Mas a novidade mais relevante para empresas não é o resultado passado — é a mudança de postura anunciada para 2026. Menos autuações surpresa, mais diálogo preventivo. O Programa Confia, piloto de conformidade cooperativa, é a aposta da RFB para mudar a relação com o contribuinte.

1. Os números de 2025

Em 2025, a fiscalização da Receita Federal lavrou autos de infração que somam R$ 233 bilhões — distribuídos entre pessoas jurídicas (R$ 221,9 bilhões) e pessoas físicas (R$ 11,2 bilhões).

O dado mais expressivo está na concentração: 84,9% do total autuado (R$ 188,5 bilhões) foi aplicado a apenas 9.200 empresas — o grupo dos "maiores contribuintes", que representa 0,5% das pessoas jurídicas no Brasil e responde por 57% da arrecadação tributária federal.

A mensagem implícita é clara: se você é uma grande empresa, é quase certo que a Receita já te conhece bem — e sabe onde procurar.

2. A virada de postura para 2026

Para 2026, a RFB anunciou uma mudança de estratégia. O foco deixa de ser exclusivamente a autuação e passa a incluir, de forma mais estruturada, a orientação preventiva.

Na prática, isso significa:

  • Envio de alertas automáticos sobre divergências identificadas nos cruzamentos de dados
  • Oportunidade de autorregularização antes da abertura formal de procedimento fiscal
  • Expansão do Programa Confia (Conformidade Cooperativa Fiscal)

Essa mudança também tem um contexto normativo: a LC 225/2026 instituiu o Código de Defesa do Contribuinte, que pela primeira vez sistematiza, em lei complementar, os direitos dos contribuintes perante a Receita Federal — incluindo transparência nos procedimentos, direito à informação e prazo para resposta.

3. O que é o Programa Confia

O Programa Confia (Conformidade Cooperativa Fiscal) é a versão brasileira de um modelo já adotado por países como Holanda, Austrália e Reino Unido. A lógica é simples: em vez de esperar que a empresa cometa um erro, declarar e ser autuada depois, a Receita se senta com a empresa antes da declaração para resolver as questões fiscais pendentes.

No piloto de 2025, 20 grandes empresas participaram e 127 questões fiscais foram tratadas colaborativamente, sem autuação formal. A ideia para 2026 é ampliar o programa.

By the numbers:

  • 2025: 20 empresas participantes, 127 questões resolvidas
  • 2026: expansão prevista do programa
  • Requisito: abertura de informações e transparência sobre posições tributárias

4. Fundamentos legais

A mudança de postura da RFB encontra respaldo no princípio da boa-fé objetiva nas relações tributárias (art. 113 do CTN) e na tendência internacional de substituir o modelo adversarial de fiscalização por um modelo colaborativo.

O Código de Defesa do Contribuinte (LC 225/2026) reforça essa lógica ao estabelecer que o contribuinte tem direito à orientação prévia e à segurança jurídica nas suas relações com a administração tributária.

5. Impacto prático

Para empresas de grande porte:

  • Monitorar os alertas enviados pela RFB (disponíveis via Portal de Serviços, substituto do e-CAC)
  • Avaliar elegibilidade e interesse no Programa Confia como alternativa à litigância
  • Revisar posições tributárias vulneráveis antes de receber um alerta formal

Para empresas de médio porte:

  • A estratégia de orientação preventiva se expandirá gradualmente para outros estratos de contribuintes
  • O cruzamento de dados da RFB já alcança empresas de menor porte via Sintonia (IN RFB 2.317/2026)

A mudança de postura da RFB não elimina o risco de autuação — ela o antecipa. Empresas que recebem alertas e não respondem adequadamente podem ser autuadas em seguida com menos espaço para defesa. A orientação preventiva é uma oportunidade, não uma cortesia.

Referências

  • Ministério da Fazenda (abril/2026): https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/abril/balanco-da-fiscalizacao-da-receita-federal-aponta-que-autuacoes-somaram-r-233-bilhoes-em-2025
  • Receita Federal (abril/2026): https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2026/abril/receita-federal-apresenta-resultados-da-fiscalizacao-em-2025-e-planejamento-para-2026
  • LC 225/2026 — Código de Defesa do Contribuinte
  • IN RFB 2.317/2026 — Programa Sintonia